11º FNEX: painel temático aponta caminhos para os municípios enfrentarem as desigualdades e melhorarem os indicadores
Lucas Fernandes Hoogerbrugge, mestre em Educação, disse que o enfrentamentos das desigualdades é feito com ações práticas no dia a dia das escolas brasileiras
Para melhorar os indicadores de atendimento e de aprendizagem, com redução das desigualdades na Educação, “a equidade deve se tornar um plano prático com ações que mudam a realidade”. É o que afirma Lucas Fernandes Hoogerbrugge, mestre em Educação na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Ele é categórico: não qualidade sem equidade. “Quanto mais investimentos nos estudantes vulneráveis, mais impacto temos na aprendizagem. Equidade gera mais avanços”, ponderou.
Na manhã desta segunda-feira, dia 25 de maio de 2026, o especialista participou de painel sobre a redução de desigualdades na Educação. O debate ocorreu no plenário do 11º Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de Educação (FNEX), que acontece até a próxima quarta-feira, dia 27 de maio de 2026, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília/DF. A mediação foi realizada pelo professor Anderson Passos dos Santos, Dirigente Municipal de Educação de Aratuípe/BA e Secretário de Finanças da Undime.
Segundo Lucas Fernandes, os gestores/as e educadores/as devem estar devidamente capacitados, tendo em mãos um passo a passo de como tornar a equidade uma prática diária nas salas e corredores das escolas brasileiras. Destacou ainda que a questão racial deve ser considerada nas estratégias municipais para que o enfrentamento das desigualdades seja efetivo. "Em municípios onde o hiato racial é maior, quanto mais desigualdade de aprendizagem, menor a renda média", diz.
Na prática
A educação é um dos principais motores de quebra do ciclo de pobreza. Quando o município traz uma criança ou adolescente para a escola, garante que tenha melhores oportunidades.
E a estratégia Busca Ativa Escolar (BAE) é uma ferramenta para o alcance da equidade, pois vai muito além da simples (re)matrícula de alunos/as. Na prática, a BAE funciona como um sensor de vulnerabilidades sociais, permitindo que o município enxergue quem, muitas vezes, estava invisível para o poder público.
O funcionamento prático da estratégia segue um fluxo que garante que ninguém fique para trás. Ao encontrar um menino ou uma menina fora da escola, os agentes comunitários geram um alerta na plataforma da BAE, que aciona os técnicos verificadores. Esses profissionais entrarão em contato com as famílias e, com uma escuta sensível, identificarão os caminhos para ajudá-las. A partir daí, essas famílias serão acompanhadas pelos agentes municipais e terão seus direitos garantidos.
Aqui está um resumo de como a estratégia auxilia o enfrentamento das desigualdades sociais no cotidiano municipal:
Rompimento da "invisibilidade" social
A desigualdade social é multifacetada. Muitas crianças e adolescentes fora da escola estão em situação de extrema pobreza , insegurança alimentar, gravidez na adolescência, trabalho infantil, dentre outros.
A Busca Ativa Escolar une as forças das secretarias de Educação, Saúde e Assistência Social para garantir os direitos das crianças e adolescentes, articulando agentes dessas três políticas, que circulam nos territórios, para identificar esses meninos e meninas e colocá-los no radar das políticas públicas.
Se o motivo da evasão é alguma doença, a Saúde intervém. Se é vulnerabilidade econômica, a Assistência Social (CRAS) atua. Isso trata a causa, não apenas o sintoma (a ausência na aula).
Identificação de barreiras
A BAE também permite coletar dados sobre o porquê da exclusão. Isso gera um diagnóstico territorial preciso para o prefeito e secretários. Com isso, se o problema é o trabalho infantil, o município pode incluir a família no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo. Se o problema é crianças e adolescentes em situação de violência, pode-se acionar os órgãos de proteção.
Além disso, ao alimentar a plataforma da BAE, o município gera estatísticas reais. Isso permite que os recursos públicos sejam aplicados onde a desigualdade é maior. Se os dados mostram que a evasão é maior em um território específico devido à violência, o município pode priorizar investimentos em iluminação, segurança e lazer naquela região.
Com informações da Undime.
Foto: Guilherme Kardel/Undime
