PNAD: recuo no abandono escolar, avanço na formação de jovens negros e melhora no acesso a creches
Foto: Instituto Federal de São Paulo/Olhar Imaginário
Pesquisa do IBGE, reponderada a partir dos resultados do Censo 2022, mostra maior retenção de estudantes e redução de desigualdades raciais nas escolas brasileiras
Os resultados do módulo Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, que teve a série histórica (2016-2025) reponderada a partir dos resultados do Censo 2022, mostram uma trajetória de progressos nos indicadores educacionais do país. A pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela aumento da frequência escolar e retração nas taxas de abandono escolar; e melhorias no acesso a creches e avanços de escolarização na população preta e parda. Embora o país persista com desigualdades regionais e raciais históricas, os dados divulgados no dia 19 de junho de 2026 pelo IBGE, evidenciam maior retenção e inclusão nas escolas.
Segundo o módulo de Educação da PNAD Contínua, cerca de 96,1% das crianças de 6 a 14 anos frequentavam o ensino fundamental em 2025, ultrapassando a meta de 95% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE) e representando um aumento em relação a 2024 (94,6%), porém o resultado não superou o período pré-pandemia. Com relação aos/às adolescentes de 15 a 17 anos, 80,6% frequentavam ou concluíram o ensino médio em 2025. O indicador avançou 3,8 p.p. comparado a 2024, mas permanece 4,4 p.p. abaixo da meta de 85% prevista no PNE.
Por sexo, 84% das meninas e 77,4% dos meninos de 15 a 17 anos estavam no ensino médio ou já o haviam concluído. Quanto à cor ou raça, 84,9% dos/as adolescentes brancos nesta faixa etária estavam na etapa adequada (ensino médio), contra 77,8% de pretos ou pardos. Essa proporção para os que se declaram pretos ou pardos avançou 14,7 p.p. desde 2016, contra 8,8 p.p. dos brancos.
Também houve progresso no ensino profissionalizante: a fatia de estudantes do Ensino Médio que frequentam cursos técnicos ou normais (magistério) subiu de 7,0% em 2019 para 8,8% em 2025, totalizando 787 mil matriculados. O aumento foi puxado por estudantes pretos ou pardos, cujo contingente na modalidade técnica avançou 23,9%, saltando de 368 mil para 456 mil alunos.
Para o analista do IBGE William Kratochwill, os dados evidenciam que apesar da redução das desigualdades no ensino médio, ainda persistem barreiras no acesso e na permanência de estudantes. "Embora pretos ou pardos e homens ainda estejam atrás em relação a pessoas brancas e mulheres, os dados mostram uma redução na desigualdade na série histórica da pesquisa", diz.
O Brasil também registrou avanço na oferta de vagas para a educação infantil. Pela primeira vez desde 2019, a proporção de crianças de 2 e 3 anos fora da escola por déficit de atendimento — motivado por falta de vagas, ausência de escolas locais ou recusa da matrícula por idade — recuou de 39% para 33%. Apesar de a maioria das crianças de 0 a 3 anos estarem fora da creche por opção declarada dos pais (64,1% de 0 a 1 ano e 57,1% de 2 a 3 anos), nas regiões Norte e Nordeste há escassez de vagas, o que afeta 35,2% dos bebês no Norte e 36,1% no Nordeste; e 44,5% das crianças de 2 a 3 anos no Norte; e 37,2% no Nordeste.
Abandono
O IBGE aponta que o abandono escolar se concentra na transição da adolescência para a juventude, motivados pela necessidade de entrada precoce no mercado de trabalho (43%, um aumento de 1,0 ponto percentual em relação ao ano anterior) e percepção da utilidade do ensino médio (25,6%), entre outros motivos. Entre as pessoas de 14 a 29 anos, 7,7 milhões não haviam completado o ensino médio em 2025, seja por terem abandonado a escola antes do término dessa etapa ou por nunca a terem frequentado.
Os maiores percentuais de abandono ocorreram a partir dos 16 anos: 18,5% deixaram a escola nessa idade; 20,0% aos 17 anos; e 17,6% aos 18 anos. Nas idades correspondentes ao ensino fundamental, 7,5% haviam deixado a escola até os 13 anos e 7,6% aos 14 anos.
"Os percentuais de abandono antes dos 14 anos equivalem a 15,1% do total. São elevados e caracterizam-se como elementos fundamentais na precarização da formação do indivíduo. Esse dado representa saídas durante o ensino fundamental, etapa que deveria estar plenamente universalizada. Esse padrão se manteve semelhante entre homens e mulheres e entre as pessoas de cor branca e preta ou parda", avalia William.
Entre os meninos, a inserção imediata no mercado de trabalho responde por 54,2% das saídas. No público feminino, embora o trabalho mobilize 26,2%, as responsabilidades reprodutivas e domésticas atuam como barreiras estruturais específicas: a gravidez é mencionada por 24,7% das jovens e a realização de afazeres domésticos ou cuidados de terceiros por 8,6%.
O papel da Busca Ativa Escolar nesses resultados
Diante desse panorama de avanços consolidados e gargalos localizados, a estratégia da Busca Ativa Escolar (BAE) atua diretamente para sustentar e impulsionar os resultados positivos expostos pela PNAD. A iniciativa promove uma articulação intersetorial entre as secretarias municipais de Educação, Saúde e Assistência Social para localizar crianças e adolescentes fora da escola.
Ao cruzar dados e realizar visitas domiciliares, a BAE ataca com precisão as causas do abandono, evasão e exclusão escolar. Em 9 anos, a estratégia já identificou 650 mil casos e trouxe de volta às salas de aula mais de 325 mil crianças e adolescentes em todo o Brasil.
Seja para mapear demandas por vagas em creches ou amparar crianças e adolescentes em situação de violência e outras vulnerabilidades, a BAE aciona as redes de proteção social para efetivar o acolhimento, a rematrícula e o monitoramento da permanência nas escolas, cumprindo um papel essencial no avanço dos índices educacionais brasileiros.
Com informações do IBGE.
