Coordenador/a operacional: o elo que mantém a Busca Ativa Escolar em movimento

Por Comunicação

14.10.2026
Coordenador/a operacional: o elo que mantém a Busca Ativa Escolar em movimento

Da elaboração do Plano de Ação à resolução dos casos mais complexos, é este/a profissional quem lidera a equipe que garantirá que cada alerta seja gerido para que crianças ou adolescentes voltem à escola

Imagine uma agente comunitária de saúde que, durante uma visita, percebe que um menino de 10 anos não está indo à escola. Ela emite um alerta na plataforma da Busca Ativa Escolar (BAE). Dias depois, um técnico verificador conversa com a família, entende os motivos do afastamento e registra sua análise. A supervisora institucional aciona a Assistência Social, a Educação garante a vaga, e o estudante volta para a sala de aula.

Parece simples. Mas, para que essa história se repita dezenas, centenas de vezes em um mesmo território, alguém precisa garantir que uma sistemática de fluxos e cada parte de uma grande engrenagem funcione adequadamente. Esse alguém é o/a coordenador/a operacional. 

Se você exerce essa função, este texto é para você: um reconhecimento e um convite para olhar com atenção para o tamanho do seu papel.

No centro da estratégia

Quando o município adere à BAE, o/a prefeito/a, junto com o/a gestor/a político/a, designa o/a coordenador/a operacional. No organograma da estratégia, é ele/a quem está no meio do caminho entre a decisão política e o trabalho de campo: responde ao/à gestor/a político/a e coordena os/as supervisores/as institucionais das diferentes secretarias, que, por sua vez, acompanham técnicos/as verificadores/as e agentes comunitários/as (conheça todos os perfis da equipe da BAE).

Quem reúne as secretarias para definir como a BAE vai funcionar no município? Quem decide, com o Comitê Gestor, quais motivos de afastamento têm prioridade e quais são os prazos de cada etapa? Quem chama a rede quando um caso é complexo demais para uma única pasta resolver? Quem anima, estimula as pessoas envolvidas sempre que necessário? Na maior parte das vezes, a resposta é a mesma: o/a coordenador/a operacional.

O manual Busca Ativa Escolar: a implementação no município define o/a coordenador/a operacional como o/a primeiro/a responsável pelo planejamento, execução e acompanhamento do Plano de Ação e de todas as ações da BAE. No dia a dia, isso se traduz em cinco frentes:

- Plano de Ação: lidera a elaboração do documento que orienta a BAE no território, com diagnóstico, metas, fluxo dos casos entre as secretarias, formação e comunicação, e acompanha sua execução por meio de monitoramento e avaliações contínuas.

- Equipe: cadastra os/as supervisores/as institucionais na plataforma, pode cadastrar também técnicos/as verificadores/as e agentes comunitários/as, e coordena e organiza o calendário de formação de todos os perfis.

- Plataforma: coordena a configuração de acordo com a realidade local (equipes de trabalho por área, prioridades e prazos), emite relatórios e acompanha a gestão e a evolução dos casos.

- Reuniões intersetoriais: organiza e conduz as reuniões nas quais  são definidos os/as supervisores/as, técnicos e agentes, e as reuniões de monitoramento e avaliação, que devem acontecer pelo menos uma vez por mês.

- Resolução de casos: junto com o/a gestor/a político/a, articula os esforços entre secretarias e órgãos quando um caso reúne motivos combinados, como trabalho infantil e falta de transporte escolar.

É por isso que uma coordenação operacional qualificada faz a diferença entre uma ação pontual e uma política contínua. Se um Dia D mobiliza a cidade, é a coordenação operacional que garante que cada caso identificado naquele dia siga o fluxo na Gestão de Casos, incluindo a (re)matrícula e o acompanhamento dentro da escola.


Liderança que nasce do território

O perfil de quem coordena exige a combinação de competências e habilidades técnicas de gestão, pois gerenciará processos e pessoas. No caso da BAE , quem lidera precisará conduzir equipes em encontros de formação, mediar discussões e fazer encaminhamentos. Ter facilidade de comunicação oral e digital, e conhecimento da realidade do município e da estrutura da administração pública, também são fatores que propiciarão uma coordenação qualificada e resolutiva.

Em Juripiranga (PB), o coordenador operacional Fernandes Rodrigues, resume bem esse espírito: "a BAE tem papel fundamental na articulação dessas ações, promovendo a integração entre os diferentes setores e apoiando iniciativas que favorecem a participação dos estudantes e o fortalecimento das estratégias educacionais no município".

Na esfera estadual, o papel de gerenciar a estratégia cabe ao/à coordenador/a estadual, nomeado/a pelo/a gestor/a estadual. No dia a dia, faz a ponte entre o sistema estadual de ensino e os municípios: redistribui os casos recebidos; forma, acompanha e apoia os/as supervisores/as estaduais das regionais, coordenadorias ou diretorias de ensino; e extrai relatórios analíticos da plataforma para debatê-los no Comitê Gestor Estadual.

Você não está sozinho/a

Para que nenhum/a coordenador/a atue sem apoio, a BAE oferece um conjunto de ferramentas gratuitas:

- Biblioteca: manuais, guias e materiais para engajar e formar a sua equipe.

- Plataforma: onde você configura o trabalho no território, acompanha os casos e gera os relatórios para as reuniões intersetoriais.

- Salas de Aprendizagem: suporte e formação continuada, com a Sala A para equipes municipais e a Sala B para equipes estaduais.

- Cursos gratuitos: opções autoinstrucionais, 100% online e com certificação do UNICEF, para você e sua equipe.

Sigamos juntos, afinal, fora da escola não pode!