XXII Fórum Estadual da Undime ES discute a Busca Ativa Escolar na proteção contra as violências

Por Comunicação

06.05.2026 | Atualizado: 06.05.2026
XXII Fórum Estadual da Undime ES discute a Busca Ativa Escolar na proteção contra as violências

Daniella Rocha, da coordenação nacional da Busca Ativa Escolar, ministrou painel durante o evento e discutiu como a estratégia contribui para a proteção integral de crianças e adolescentes, especialmente contra as violências

Nos dias 29 e 30 de abril, a cidade de Vitória (ES) sediou o XXII Fórum Estadual da União dos Dirigentes Municipais de Educação do Espírito Santo (Undime ES). O evento, que teve como tema central "Gestão educacional com equidade: liderança, proteção e direito à aprendizagem", reuniu especialistas e gestores para debater os desafios e caminhos da educação básica. Daniella Rocha, oficial de Educação do UNICEF Brasil, participou da programação ministrando o painel " Busca Ativa Escolar: aliada a uma educação que protege". Daniella compõe a Coordenação Nacional da estratégia BAE.

Durante sua apresentação, a oficial de Educação abordou como as diferentes formas de violência afetam diretamente a trajetória educacional de crianças e adolescentes. A especialista explicou que a violência gera impactos na educação, manifestando-se por meio do medo de ir à instituição de ensino, seja devido à insegurança nos trajetos ou a agressões sofridas na própria escola. As violências também motivam faltas recorrentes, muitas vezes utilizadas pelos alunos para esconder marcas visíveis de agressão ou pela necessidade de permanecerem em casa para proteger familiares da violência doméstica. Todo esse cenário resulta em enormes dificuldades para acompanhar os conteúdos e na queda do desempenho escolar, gerando descrença na educação como projeto de vida devido a sucessivos fracassos. O quadro ainda provoca o afastamento do convívio social e, em alguns casos, a reprodução de comportamentos violentos no próprio ambiente de ensino.

No Brasil, onde quase um milhão de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos estão fora da escola, os dados revelam que o perfil dessa exclusão é fortemente determinado pela vulnerabilidade socioeconômica. A maior parte das vítimas da exclusão escolar é composta por meninos (55%), negros e pardos (67%), que residem majoritariamente em áreas periféricas ou rurais. Para agravar a situação, 40% dessas crianças e adolescentes vivem em famílias pertencentes ao quintil mais pobre do país.

Para enfrentar as violências, Daniella reforçou a importância do trabalho e do engajamento do Sistema de Garantia de Direitos (SGD) em ações intersetoriais. 

O painel também apresentou os cadernos temáticos desenvolvidos pela Busca Ativa Escolar, que servem como guia para orientar os municípios e estados a agir contra a exclusão motivada por violências em geral, trabalho infantil, violência doméstica e intrafamiliar e violência no território.

Busca Ativa Escolar no Espírito Santo

Daniella Rocha apresentou ainda um balanço atualizado da estratégia de Busca Ativa Escolar no estado do Espírito Santo. Os dados, consolidados até o final de abril/2026, demonstram um esforço contínuo e estruturado de reintegração educacional nos municípios. Atualmente, o estado e seus 78 municípios são adesos à BAE e respondem por mais de 22 mil casos registrados na plataforma. Graças a essas ações coordenadas, 5.804 crianças e adolescentes capixabas retornaram às salas de aula. 


Foto: Sagrilo/SETUR-ES