Atalaia/AL transforma a Busca Ativa Escolar em protocolo de proteção e afeto
O município alagoano apresentou o seu Protocolo BAE para a coordenação nacional da estratégia
O município de Atalaia, em Alagoas, consolidou a Busca Ativa Escolar (BAE) não apenas como uma estratégia de acesso à educação e enfrentamento da exclusão escolar, mas como uma política pública estruturante e pedagógica. A BAE se tornou um protocolo de garantia de direitos e acolhimento integral de crianças e adolescentes.
"Em Atalaia, a gente não espera. Ninguém fica para trás, ninguém fica para depois", afirmou Glauciane Veiga, Dirigente Municipal de Educação (DME) e vice-presidente da seccional de Alagoas da Undime, durante a apresentação da experiência de implementação no município, realizada na manhã do dia 5 de fevereiro de 2026, para a coordenação nacional da estratégia. Participaram da reunião virtual Daniella Rocha e Verônica Bezerra, oficiais de Educação do UNICEF Brasil; Klévia Delmiro e Neilton Nunes, respectivamente assessora técnica e coordenador institucional da Undime Alagoas; Vilmar Klemman, assessor da Undime nacional; Thamyres Ferreira e Giselle Silva, coordenadoras operacionais da BAE no município; e Graça Lima e Rafael Paixão, da Asserte (parceiro implementador do Selo UNICEF em Alagoas).
O Protocolo BAE é um documento criado pela equipe da estratégia, a fim de articular ações entre escola, família e rede de proteção. O objetivo é prevenir e fazer o enfrentamento de fatores que levam os/as estudantes à infrequência escolar. Com isso, espera-se assegurar o acesso, a permanência e o sucesso educacional de meninos e meninas.
"A gente cuida, a gente protege, a gente garante direitos", resume Glauciane Veiga. “A garantia é de proteção, de respeito, acolhimento, de acesso ao direito à educação. Quem volta, volta pra aprender”, complementa.
O Protocolo BAE garante, portanto, que a rede de proteção funcione em tempo real, resolvendo problemas que vão desde a falta de transporte até o apoio social direto às famílias.
“Essa articulação tem levado Atalaia, inclusive, a apoiar outros municípios alagoanos na implementação de sua própria estratégia da Busca Ativa Escolar”, contou Klévia Delmiro, durante a reunião online.
Intersetorialidade
A BAE em Atalaia é regida pela lei municipal 1.248/2025 e conta com a participação das secretarias de Saúde e Assistência Social, além da Educação, e o Conselho Tutelar. Também funciona integrada a programas e projetos como o Bolsa Família, Escola que Protege, Saúde na Escola e Alimentação Escolar. A estratégia é tratada como uma ação pedagógica que promove acolhimento, escuta ativa e a responsabilidade institucional.
Com 30 escolas municipais envolvidas, cada unidade adapta a metodologia à sua realidade, monitorando a frequência e intervindo pedagogicamente antes que o abandono aconteça. Para a DME de Atalaia/AL, o diferencial do município reside na compreensão de que a Busca Ativa Escolar é, justamente, uma ação pedagógica. Isso envolve desde o porteiro, passando pela merendeira e pelas equipes pedagógica e de professores.
“A BAE é compreendida e operacionalizada de forma integrada e estruturante nas escolas e considerando o processo ensino-aprendizagem. Não é só um mecanismo de controle de frequência. É muito mais uma estratégia pedagógica, sempre focada no acompanhamento, cuidado e atenção das crianças e adolescentes”, explica a vice-presidente da Undime AL.
A prefeita do município é apontada como parceira central, mobilizando diretamente a comunidade e solicitando a realização dos encontros intersetoriais entre as secretarias para manter a rede ativa. Os secretários municipais se reúnem, periodicamente, nos chamados "Cafés Institucionais", encontros nos quais compartilham desafios e geram respostas rápidas. Além disso, o sentimento de que "eu sou essa pessoa que protege" permeia o trabalho de todos/as os/as servidores/as, desde a gestão até as merendeiras, todos cientes de que a sua atuação é fundamental para retenção dos/as alunos e alunas na sala de aula.
